8 de abril de 2009

Vale mais que um trocado!

Recebi por e-mail essa matéria maravilhosa, e repasso a vocês!

Mostra que ainda temos futuro, podemos acreditar que se cada dia fizermos um pouquinho, as atitudes mudam... Portanto criem!!! Sejamos mais criativos!
Só assim poderemos mudar, mesmo que aos poucos, esse universo de pouca leitura. Para aqueles usuários que adoram ler, a nossa missão é continuar a estimulá-los!
Acredito também que a leitura é algo contagioso: se eu gosto de ler, alguém bem próximo de mim pode gostar!


Reportagem: Ambulantes, pedintes e moradores de rua não esperam só por dinheiro dos motoristas parados no sinal vermelho. Sem pagar pra ver, eu vi.

"Dinheiro eu não tenho, mas estou aqui com uma caixa cheia de livros. Quer um?" Repeti essa oferta a pedintes, artistas circenses e vendedores ambulantes, pessoas de todas as idades que fazem dos congestionamentos da cidade de São Paulo o cenário de seu ganha-pão. A idéia surgiu de uma combinação com os colegas de NOVA ESCOLA: em vez de dinheiro, eu ofereceria um livro a quem me abordasse - e conferiria as reações.



A cada livro oferecido em vez de esmola, um leitor descoberto. Foto: Rogério Albuquerque.

Para começar, acomodei 45 obras variadas - do clássico Auto da Barca do Inferno, escrito por Gil Vicente, ao infantil divertidíssimo Divina Albertina, da contemporânea Christine Davenier - em uma caixa de papelão no banco do carona de meu Palio preto. Tudo pronto, hora de rodar. Em 13 oferecimentos, nenhuma recusa. E houve gente que pediu mais.

Nas ruas, tem de tudo. Diferentemente do que se pode pensar, a maioria dessas pessoas tem, sim, alguma formação escolar. Uma pesquisa do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, realizada só com moradores de rua e divulgada em 2008, revelou que apenas 15% nunca estudaram. Como 74% afirmam ter sido alfabetizados, não é exagero dizer que as vias públicas são um terreno fértil para a leitura. Notei até certa familiaridade com o tema. No primeiro dia, num cruzamento do Itaim, um bairro nobre, encontrei Vitor*, 20 anos, vendedor de balas. Assim que comecei a falar, ele projetou a cabeça para dentro do veículo e examinou o acervo:

- Tem aí algum do Sidney Sheldon? Era o que eu mais curtia quando estava na cadeia. Foi lá que aprendi a ler.

Na ausência do célebre novelista americano, o critério de seleção se tornou mais simples. Vitor pegou o exemplar mais grosso da caixa e aproveitou para escolher outro - "Esse do castelo, que deve ser de mistério" - para presentear a mulher que o esperava na calçada.

Aos poucos, fui percebendo que o público mais crítico era formado por jovens, como Micaela*, 15 anos. Ela é parte do contingente de 2 mil ambulantes que batem ponto nos semáforos da cidade, de acordo com números da prefeitura de São Paulo. Num domingo, enfrentava com paçocas a 1 real uma concorrência que apinhava todos os cruzamentos da avenida Tiradentes, no centro. Fiz a pergunta de sempre. E ela respondeu:

- Hum, depende do livro. Tem algum de literatura? Provocou, antes de se decidir por Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.

As crianças faziam festa (um dado vergonhoso: segundo a Prefeitura, ainda existem 1,8 mil delas nas ruas de São Paulo). Por estarem sempre acompanhadas, minha coleção diminuía a cada um desses encontros do acaso. Érico*, 9 anos, chegou com ar desconfiado pelo lado do passageiro:

- Sabe ler? Perguntei.

- Não..., disse ele, enquanto olhava a caixa. Mas, já prevendo o que poderia ganhar, reformulou a resposta:

- Sim. Sei, sim.

- Em que ano você está?

- Na 4ª B. Tio, você pode dar um para mim e outros para meus amigos? Indagou, apontando para um menino e uma menina, que já se aproximavam.

Mas o problema, como canta Paulinho da Viola, é que o sinal ia abrir. O motorista do carro da frente, indiferente à corrida desenfreada do trio, arrancou pela avenida Brasil, levando embora a mercadoria pendurada no retrovisor.

Se no momento das entregas que eu realizava se misturavam humor, drama, aventura e certo suspense, observar a reação das pessoas depois de presenteadas era como reler um livro que fica mais saboroso a cada leitura. Esquina após esquina, o enredo se repetia: enquanto eu esperava o sinal abrir, adultos e crianças, sentados no meio-fio, folheavam páginas. Pareciam se esquecer dos produtos, dos malabares, do dinheiro...

- Ganhar um livro é sempre bem-vindo. A literatura é maravilhosa, explicou, com sensibilidade, um vendedor de raquetes que dão choques em insetos.

Quase chegando ao fim da jornada literária, conheci Maria*. Carregava a pequena Vitória*, 1 ano recém-completado, e cobiçava alguns trocados num canteiro da Zona Norte da cidade. Ganhou um livro infantil e agradeceu. Avancei dois quarteirões e fiz o retorno. Então, a vi novamente. Ela lia para a menininha no colo. Espremi os olhos para tentar ver seu semblante pelo retrovisor. Acho que sorria.


*os nomes foram trocados para preservar os personagens.

Por Rodrigo Ratier.

Revista Escola - Ed. Abril - Edição 221 - Abril 2009.

Sua cidade tem biblioteca pública?

A lista suja: 362 cidades brasileiras sem bibliotecas!

Levantamento do Sistema Nacional de Bibliotecas mostra que ainda restam 362 municípios que não possuem nenhuma biblioteca pública no Brasil (eram 1.300 em 2003).
As regiões onde a situação é mais crítica são o Nordeste e o Norte, onde, não por coincidência, os índices de leitura, segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, também são os mais baixos do País.
O estado em pior situação é o Piauí, onde nada menos do que 79 cidades não possuem esse serviço público essencial. Em seguida, aparecem a Bahia, com 67; a Paraíba, com 48; e o Rio Grande do Norte, com 28 cidades.Onde ainda faltam bibliotecas.
O Amazonas é o estado na região Norte que lidera a lista da falta de bibliotecas: ainda precisa abrir unidades em 24 cidades. Em seguida, aparece, no Centro- Oeste, Goiás, com 25 municípios sem elas.
No Sul, o Rio Grande do Sul, estado conhecido por sua tradição leitora, amarga um triste quadro: é o único estado da região que ainda não tem bibliotecas em todas as suas cidades (elas inexistem em 13 localidades).
No Sudeste, o papel feio fica com São Paulo, onde, segundo a Fundação Biblioteca Nacional, existem 15 municípios sem o equipamento. Ali, Espírito Santo e Rio de Janeiro já resolveram esse problema, enquanto que Minas Gerais ainda aparece com 4 cidades sem bibliotecas. Alguns diziam ter resolvido o problema!
A maioria dos estados sem bibliotecas está no Nordeste: Alagoas (3), Ceará (2), Maranhão (11), Pernambuco (10) e Sergipe (3). No Norte, são os seguintes: Acre (2), Amapá (3), Pará (5), Rondônia (1) e Roraima (5). No Centro- Oeste, Mato Grosso do Sul (3) e Tocantins (10).
Vale a pena registrar: alguns dos estados que aparecem nessa lista suja da Fundação Biblioteca Nacional chegaram a alardear, há tempos, que haviam zerado seu déficit de bibliotecas.


Fonte: Portal O Barriga Verde.

7 de abril de 2009

Apple é eleita a empresa mais admirada do mundo!


A Apple, proprietária das famosas marcas iMac, iPod e iPhone, é a companhia mais admirada do mundo pelo segundo ano consecutivo, segundo ranking elaborado pela revista Fortune. A empresa de Steve Jobs recebeu melhor avaliação e apareceu no topo do ranking em inovação, gestão de pessoal e qualidade dos produtos e serviços.


Na próxima edição, a revista publicará um ranking das 50 empresas mais admiradas, de acordo com uma pesquisa realizada entre empresários e executivos. No universo das companhias listadas, menos de dez são estrangeiras.


Além da mais admirada, a Apple ocupa o segundo lugar entre as empresas com “maior sensatez financeira” e o terceiro lugar no uso de ativos empresariais, na qualidade de gestão e nos investimentos de longo prazo. O co-fundador da empresa, Steve Jobs, que encontra-se no momento afastado por licença médica, é elogiado por sua capacidade de transformar a companhia e tornar sua marca tão prestigiada.


Entre as empresas do setor de informática, a Apple fica atrás da Xerox e está na segunda colocação, à frente de HP, Canon, Sun Microsystems e Dell, respectivamente. Na ordem do ranking, o segundo lugar entre as empresas mais admiradas no quesito inovação da Fortune coube à Walt Disney, seguida do Google e Amazon.com, que aparece em sétimo.
A segunda empresa na lista geral é o grupo Berkshire Hathaway, que controla uma série de subsidiárias nos setores de seguro e crédito e detém participação em diversas empresas.
As únicas empresas estrangeiras presentes no índice são Toyota Motors (Japão, em 3º), BMW (Alemanha, 28º), Singapore Airlines (Cingapura, 33º), Nestlé (Suíça, 38º), Sony (Japão, 39º), Nokia (Finlândia, 42º), Toyota Industries (Japão, 46º), Accenture (Bermudas, 49º) e Samsung (Coreia do Sul, 50º).


Veja a lista das 50 empresas do ranking:

1. Apple (EUA)
2. Berkshire Hathaway (EUA)
3. Toyota Motor (Japão)
4. Google (EUA)
5. Johnson & Johnson (EUA)
6. Procter & Gamble (EUA)
7. FedEx (EUA)
8. Southwest Airlines (EUA)
9. General Electric (EUA)
10. Microsoft (EUA)
11. Wal-Mart Stores (EUA)
12. Coca-Cola (EUA)
13. Walt Disney (EUA)
14. Wells Fargo (EUA)
15. Goldman Sachs Group (EUA)
16. McDonald’s (EUA)
17. IBM (EUA)
18. 3M (EUA)
19. Target (EUA)
20. JPMorgan Chase (EUA)
21. PepsiCo (EUA)
22. Costco Wholesale (EUA)
23. Nike (EUA)
24. Nordstrom (EUA)
25. Exxon Mobil (EUA)
26. Bank of America (EUA)
27. United Parcel Service (EUA)
28. BMW (Alemanha)
29. American Express (EUA)
30. Hewlett-Packard (EUA)
31. Cisco Systems (EUA)
32. Honda Motor (JPN)
33. Singapore Airlines (Cingapura)
34. Starbucks (EUA)
35. Caterpillar (EUA)
36. Intel (EUA)
37. Marriott International (EUA)
38. Nestlé (Suíça)
39. Sony (Japão)
40. Boeing (EUA)
41. Deere (EUA)
42. Nokia (Finlândia)
43. Northwestern Mutual (EUA)
44. Best Buy (EUA)
45. Geral Mills (EUA)
46. Toyota Industries (Japão)
47. Lowe’s (EUA)
48. AT&T (EUA)
49. Accenture (Bermudas)
50. Samsung Electronics (Coreia do Sul)

Fonte: Época NEGÓCIOS Online.

6 de abril de 2009

LivroClips das obras de Machado de Assis, Shakespeare e Dante Alighieri estão entre os mais acessados pelos internautas!

Site, que reúne mais de 150 animações baseadas em livros, apresenta o TOP 10 com a lista dos mais vistos da semana: Machado de Assis, William Shakespeare, Dante Alighieri, Carlos Drummond de Andrade e Miguel de Cervantes são alguns dos escritores mais procurados pelos internautas do site LivroClip.
A iniciativa, que transforma obras literárias em ferramentas educativas e disponibiliza gratuitamente um acervo digital com mais de 150 animações multimídia.
Os LivroClips mais assistidos da semana.:
1- LivroQuiz Dia do Bibliotecário http://www.livroclip.com.br/index.php?acao= hotsite&cod= 175
2- Dom Casmurro: http://www.livroclip.com.br/index.php?acao= hotsite&cod= 4
3- A pele do lobo http://www.livroclip.com.br/index.php?acao= hotsite&cod= 104
4- A divina comédia http://
www.livroclip.com.br/index.php?acao= hotsite&cod= 18
5- LivroGame Firebelly http://
www.livroclip.com.br/index.php?acao= hotsite&cod= 170
6- A comédia dos erros http://
www.livroclip.com.br/index.php?acao= hotsite&cod= 129
7- A carta http://
www.livroclip.com.br/index.php?acao= hotsite&cod= 88
8- Drummond e o jogo da pedra http://
www.livroclip.com.br/index.php?acao= hotsite&cod= 79
9- Dom Quixote http://
www.livroclip.com.br/index.php?acao= hotsite&cod= 8
10- A Cartomante http://
www.livroclip.com.br/index.php?acao= hotsite&cod= 103
Perfil do LivroClip:
O LivroClip é uma solução gratuita e interativa para incentivo à leitura e apoio ao professor na Internet e na sala de aula. Entre as parcerias, destaca- se a realizada com a Associação Brasileira de Comunicação Empresarial, Aberje, para divulgação dos livros da editora da instituição.
O LivroClip foi selecionado pelo Ministério da Educação para integrar o Banco Mundial de Recursos Multimídia, que está em desenvolvimento com cinco universidades brasileiras.
Muito legal, acessem!

Inteligência competitiva: antecipar ou reagir?

Muito tem sido dito sobre as causas da crise que vem assolando o mundo desde o fim de 2008. Políticos culpam-se mutuamente pela bagunça, citando a falta de regulação. Financistas culpam os perdulários pseudodonos de imóveis americanos. Consumidores culpam os gananciosos executivos donos de empresas. E os meios de comunicação culpam a todos. Não queremos achar um culpado, mas pensar em como se poderia ter antecipado esta situação. Será que um sistema de inteligência competitiva (IC), gerando análises financeiras robustas e alertas antecipados não poderia ter indicado que a crise aconteceria?

Grandes empresas brasileiras de diversos setores, inclusive financeiro, poderiam ter feito uso em maior escala de IC para gerar cenários que levassem seus executivos a antecipar a chegada da crise. Não estamos sugerindo que não tivessem mantido um olhar atento aos mercados, pois temos certeza que grandes empresas mantêm um exército de analistas, triando imensas quantidades de informações, para gerar análises e tendências. No Brasil, a crise gira em torno de quatro pilares: crédito, câmbio, inflação e juros.
Como dizem que Deus é brasileiro, quase não há instituições financeiras brasileiras no foco da crise, como acontece em outros paises na Europa e na Ásia. Mas será que essas empresas possuíam um sistema de alertas antecipados fornecendo sólidos indicadores que apontassem a hora e a gravidade da crise? Que apontassem falhas e, principalmente, sugestões do que fazer?
Em setembro de 2008, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indicava que a Europa estava próxima a uma recessão, em função da retração dos mercados imobiliários e do encarecimento das matérias-primas que pesavam sobre o crescimento mundial, além da desaceleração econômica que se daria acentuadamente na zona do euro.
Apontavam o contrário para o mercado americano, dizendo que o crescimento do segundo trimestre fora muito mais forte que os 3,3% previstos, levando a OCDE a amenizar seu cenário e a prever mais 1,8% de crescimento. Jorgen Elmeskov (OCDE), destacou, em entrevista à BBC, que a atividade sofreria uma leve estagnação no final de 2008, com possibilidades remotas de desemprego.

Os principais indicadores econômicos mundiais mostram que as análises, infelizmente, não estavam totalmente corretas. O baque na economia norte-americana aconteceu com muito mais criticidade e o reflexo no mundo é visível hoje. O mesmo aconteceu com as empresas brasileiras com relação aos seus investimentos e planos para 2009. A Ford, no Brasil, vendeu automóveis financiados em até 84 meses a taxas de juros praticamente inexequíveis atualmente. Empresas demitem em massa, fruto da não percepção e antecipação às mudanças.

Será tarde para tomar uma ação decisiva? Isso depende da definição de tarde. Havia abundância de avisos prévios do que se passava nos mercados de crédito e que poderiam ter sido encontrados olhando-se o comportamento dos empréstimos interbancários. Mas não basta encontrar um indicador de alerta antecipado e reconhecer a sua importância. A IC, que gera estes alertas, deve comparar, analisar e considerar diversos aspectos inerentes ao negócio de cada empresa e ligá-los a uma decisão ou plano de ação, recomendando o que deve ser feito. Portanto, não se olhava para a floresta e sim para as árvores. Certamente, a busca desses sinais, por vezes fracos, teria permitido ao governo fortalecer os sistemas bancários, às empresas a melhorarem seus processos produtivos, ou, pelo menos, garantir medidas preventivas com certa antecipação e não apenas reagir, como aconteceu.
Este é um típico caso em que usar IC, minimizaria riscos graves como os que esta crise vem causando. Empresas que crescem e prosperam têm usado de inteligência sistematicamente, para evitar estar ao sabor de crises, tsunâmis e até mesmo ondinhas e marolas. Evitar o quadro atual de demissões talvez não fosse possível, mas minimizá-lo, antecipando ações paliativas por conta de saber que uma crise viria e qual seu grau de extensão seria totalmente possível. Será que as empresas não se valem de IC para tomar decisões? Não acreditamos nisso. Com certeza, foi a relativa tranquilidade que a floresta de negócios apresentava que as fez não olhar cuidadosamente seus alertas de inteligência, que municia os executivos a enxergar questões de relevância estratégica, para antecipar ameaças.

Temos certeza que as empresas, a partir de agora, vão gritar: Épocas de crise podem ser superadas com inteligência!

Eduardo Lapa e Elisabeth Gomes - Jornal do Brasil.

30 de março de 2009

A longa caminhada do papel eletrônico!

Colunista destaca principais avanços na busca do dispositivo flexível que pode revolucionar a leitura.

Imagine-se sentado em um banco de praça, quando alguém ao seu lado retira de um fino canudo uma folha retrátil e transparente de tamanho A4. De repente, letras e imagens aparecem naquela folha, como se fosse uma página impressa. O contraste e a visibilidade das letras em diferentes ângulos lembram uma folha de papel. Isso ainda é uma cena de ficção. Você não encontra esse produto na loja da esquina, mas Epson, Fujitsu, HP, Hitachi, IBM, Kodak, Motorola, Philips, Pioneer, Samsung, Siemens, Sony e Xerox, para citar apenas empresas conhecidas do grande público, trabalham para que isso não demore a acontecer. O papel eletrônico – a folha transparente da cena imaginária – já existe em diversos produtos. Falta apenas ele aparecer no design imaginado acima e com um preço compatível com a renda de boa parte da população.

Um objeto semelhante a uma folha flexível, capaz de "carregar" diferentes configurações de textos e imagens? É isso o que promete o papel eletrônico, inovação que pode se tornar uma realidade muito antes do que você imagina (imagem: reprodução).

Nos laboratórios de pesquisa, os trabalhos que viabilizaram o papel eletrônico já têm uma longa história. Podemos dizer que a saga remonta aos anos 1950, quando propriedades elétricas foram descobertas em alguns polímeros e as primeiras imagens xerográficas foram obtidas com o processo conhecido como eletroforese. Na década seguinte, com a descoberta dos polímeros semicondutores, estava aberta a estrada para se chegar ao papel eletrônico. Mas a evolução da ciência e da tecnologia não é assim tão certinha. Tropeços metodológicos e estratégias comerciais entortaram o rumo dessa história.

Passados mais de 40 anos, ainda estamos à espera do papel eletrônico com as propriedades que teoricamente consideramos adequadas. E quais são essas propriedades? Para se assemelhar ao papel impresso em funcionalidade e disponibilidade, o papel eletrônico deve ter bom contraste, de modo a ser lido até na claridade da luz solar. Isso implica que as imagens deverão ser visualizadas por reflexão da luz e não por transmissão, como ocorre nas usuais telas de computadores e de televisores. É claro que isso não impede que um fabricante possa fazer um papel eletrônico que emita luz, mas essa não é a alternativa que está fazendo a cabeça da indústria. Assim como o papel convencional, de celulose, o eletrônico também deve ser flexível, de modo que possa ser encurvado e guardado em um canudo. Tem que apresentar baixo consumo de energia e, sobretudo, ter preço de venda compatível com o orçamento de grande parte da população. Ainda não se conseguiu um produto que atenda a todas essas exigências. Vejamos alguns dos caminhos seguidos pelos pesquisadores para chegar a elas.

Tinta e suporte

O papel eletrônico tem basicamente dois componentes: a tinta e o suporte flexível. A este associa-se o sistema eletrônico, capaz de imprimir e apagar texto e imagens. Cada um desses componentes é parte de uma grande área de pesquisa, agraciada com alguns prêmios Nobel pelo caminho. O principal modo de preparação da tinta eletrônica, por exemplo, utiliza a eletroforese, fenômeno cuja descoberta em 1937 valeu o Nobel de Química de 1948 ao sueco Arne Tiselius (1902-1971).

Antes de abordarmos os métodos atuais, vale a pena recordar a primeira ideia de uma tinta eletrônica. Ela foi inventada por Nicholas Sheridon em 1974, quando era pesquisador do Centro de Pesquisa da Xerox, em Palo Alto, naquela região da Califórnia conhecida como Vale do Silício. O processo foi batizado de Gyricon, palavra grega que significa “rotação de imagem”. Essencialmente o processo funciona assim: esferas de plástico microscópicas são fabricadas com um hemisfério pintado de branco e outro de preto. Cada um deles tem uma carga elétrica diferente – digamos que o hemisfério branco seja negativo, enquanto o preto é positivo. Milhares dessas esferas são dispersas em um líquido entre duas camadas de material flexível. Uma delas é necessariamente transparente.


Folha enrolada de Gyricon, papel eletrônico desenvolvido pelo Centro de Pesquisa da Xerox. O dispositivo foi batizado a partir da expressão grega que significa "rotação de imagem" (foto: Eugeni Pulido).

Se uma voltagem positiva for aplicada na camada transparente, as esferas giram e exibem o hemisfério negativo (branco). Letras e imagens são então produzidas com uma distribuição adequada de voltagens na camada transparente. O processo foi abandonado pela Xerox em dezembro de 2005, quando seus competidores avançavam na técnica de eletroforese. No processo de eletroforese, por sua vez, existem duas alternativas.

Na primeira, algumas esferas são brancas, enquanto outras são pretas. Esferas de uma cor são carregadas positivamente, e as outras, negativamente. Na segunda alternativa, apenas um tipo de esfera é disperso em um líquido colorido e que apresente um bom contraste com a cor das esferas – esferas brancas em um líquido azul, por exemplo. Em ambos os casos, a formação da imagem é similar ao processo do Gyricon: a distribuição de voltagens é que define a imagem. No caso de esferas brancas carregadas negativamente, uma voltagem positiva na superfície visível apresenta uma imagem branca, pois as esferas são atraídas pela voltagem.

No caso de uma voltagem negativa, elas são repelidas, e a imagem fica azul. Esse mecanismo é aplicado em cada ponto da imagem. Ou seja, cada pixel tem um conjunto de esferas e uma conexão ao sistema eletrônico. Vejamos um dos processos utilizados para formar cada pixel.

A tinta eletrônica do MIT

Esse método foi inventado por Joseph Jacobson e colaboradores, no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), entre 1997 e 1998. Milhares de micropartículas com diâmetro em torno de 5 micrômetros, metade brancas e metade pretas, são encapsuladas numa esfera de material transparente, com diâmetro entre 30 e 300 micrômetros.

As micropartículas brancas podem ser obtidas com dióxido de titânio, e as pretas, com pigmentos inorgânicos. Cada espécie de micropartícula é carregada com um sinal diferente. Existem procedimentos químicos para evitar que haja atração entre as cargas de sinais contrários. Outra alternativa é usar um único tipo de partícula em um fluido dielétrico cuja cor contraste com a das micropartículas.

Milhares de cápsulas formando um líquido como uma tinta comum são fixadas em uma folha de polímero semicondutor. Uma vez fixada, a tinta é manipulada pelo sistema eletrônico para a formação de imagens. Antes de descrever o sistema eletrônico, convém adiantar que este é o principal responsável pela esperada popularização do papel eletrônico. A base polimérica permite a flexibilidade do papel, e o baixo custo de produção dos circuitos integrados redundará em produtos baratos.

A tinta eletrônica desenvolvida no MIT se baseia no princípio da eletroforese. O dispositivo conta com milhares de micropartículas esféricas de cor preta e branca, cada tipo carregada com um sinal diferente. Em função da carga elétrica aplicada, muda a disposição das microesferas na superfície do suporte flexível. O rearranjo dessas partículas permite formar diferentes textos e imagens (arte: Gerald Senarclens de Grancy).

O sistema eletrônico

Para a fabricação de circuitos integrados baseados no silício são necessários ambientes de alto vácuo, sofisticados e caros. No caso de polímeros semicondutores, filmes finos podem ser formados a partir de soluções líquidas, por intermédio de um processo de auto-organização em pressão atmosférica – uma espécie de impressão de jato de tinta. Embora simples, o processo não deixa de ter suas exigências em termos de precisão. Um circuito integrado é formado por milhares de transistores. Em cada um deles, existem partes ocupadas pelo elemento ativo – no caso, o polímero – e partes ocupadas por contatos elétricos passivos. Em transistores de polímeros, a distância entre alguns contatos é inferior a 5 micrômetros.

A deposição da solução polimérica no substrato do circuito deve ter resolução suficiente para não cobrir esses contatos. Ocorre que os processos mais simples de deposição não conseguem resolução inferior a 20 micrômetros. Isso é consequência da dificuldade de se controlar o fluxo e a tendência das gotas de polímero se esparramarem pela superfície do substrato. Uma solução interessante para restringir o espalhamento das gotas de polímero foi inventada por Henning Sirringhaus e colaboradores no Laboratório Cavendish, da Universidade de Cambridge (Reino Unido), há menos de cinco anos. Eles simplesmente colocaram um produto hidrofóbico nas regiões proibidas. Como as gotas de polímero contêm água, elas não conseguem penetrar naquelas regiões hidrofóbicas.

Em escala de laboratório o avanço é extraordinário. A empresa americana E Ink Corporation tem contribuído significativamente para isso. Já em 2003 eles apresentaram, em associação com a Philips, um pequeno painel (12,7 centímetros na diagonal), utilizando a tinta eletrônica do MIT. Dois anos depois eles apresentaram o primeiro protótipo no tamanho de uma folha A4. Esse protótipo usa 100 vezes menos energia do que um monitor de cristal líquido convencional. A razão – válida para todos os dispositivos desse tipo – é que, uma vez formada a imagem, ela permanece na tela mesmo na ausência do campo elétrico que a formou. Por outro lado, como sua visualização se dá por reflexão da luz incidente no painel, não há necessidade de bateria para manter a exibição da imagem. Esta será utilizada apenas para acionar o sistema eletrônico nos momentos em que se desejar formar ou apagar imagens.


Não é fácil controlar gotas d'água que se esparramam sobre uma superfície. De forma análoga, o controle da forma como se esparramam as gotas da solução polimérica usada no papel eletrônico foi um dos desafios no seu desenvolvimento (foto: Dan Shirley).

Uma perspectiva mais ampla
Quando se fala em papel eletrônico, geralmente vem à mente a imagem do início desta coluna. Nesse sentido, ele seria uma evolução dos atuais livros eletrônicos. No entanto, a indústria tem uma perspectiva mais ampla quando se refere a esse produto. Não devemos esquecer que papel eletrônico é qualquer coisa que seja flexível, possa exibir imagens por reflexão de luz, apresente baixo consumo de energia e, se possível, tenha grande capacidade de armazenamento. Assim, o leque de assemelhados se abre extraordinariamente.
Teremos, por exemplo, papel eletrônico em etiquetas de produtos nas prateleiras de lojas e supermercados. Os dados ali contidos poderão ser alterados por um sistema de comunicação sem fio. Teremos papel eletrônico em grandes painéis, a um custo bem inferior aos atuais. No que se refere ao sonho de consumo de muitos leitores, voltemos à cena inicial: um canudo com 1 centímetro de diâmetro e 15 a 20 centímetros de comprimento. Lá dentro, uma folha retrátil, com milhares de livros gravados e conexão sem fio para buscar conteúdo em repositórios na internet e um sistema que permita uso de mensagens eletrônicas. Tudo isso por não mais do que 250 reais, e em futuro mais próximo do que muitos imaginam!


Carlos Alberto dos Santos

Colunista da CH On-line Professor aposentado pelo Instituto de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Revista Ciência Hoje 27/03/2009.
Link:
www.cienciahoje.org.br/141468

26 de março de 2009

CONVERSA PARA CATALOGADOR DORMIR: ALGUNS CAMINHOS DO FORMATO MARC!

Por Fernando Modesto.

A consolidação do MARC 21 como formato universal, marca a evolução e consolidação do mais tradicional formato de intercâmbio bibliográfico para o século 21. Século esse marcado pela inovação da inovação tecnológica, e pelo domínio da ambiência digital. Sob esse aspecto, resumidamente, comenta-se a atual situação do formato MARC, que apesar de “quarentão” segue sobrevivendo às transformações dos suportes documentais, e gozando de boa saúde para a alegria e a tristeza de catalogadores.

Recorde-se que a proposta de concepção do MARC 21 teve início na segunda metade da década de 1980, com o documento publicado em 1987: “MARC 21 Specifications for Record Structure, Caracter Sets, and Exchange Media”, como resultado das intenções de unificação dos formatos USMARC, CANMARC e UKMARC.

Marta Martinéz García e María Olaran Múgica em “Manual de Catalogación em Formato MARC” (2ª ed. Madrid: ARCO/Libros, 2007), comentam que neste processo de integração, os responsáveis pelo formato UKMARC abandonaram o projeto só retornando década mais tarde, em 2000, quando a British Library toma a decisão de migrar seus registros baseados em UKMARC para o MARC 21.

Este fato resulta, em 2002, de novo acordo com os representantes da Library of Congress e a National Library of Canada. O processo da British foi realizado em etapas mediante programas de conversão que mapearam as equivalências entre os formatos.

Atualmente, os registros bibliográficos ingleses são originados diretamente no formato MARC 21. Aliás, fato consumado entre vários países da comunidade européia. Parafraseando nosso Guia: “Azelites” da catalogação mundial definiram os princípios de renovação e unificação dos formatos, substituindo seus próprios formatos e influindo na substituição da quase totalidade das variantes do formato MARC.

Assim, o formato MARC 21 converte-se em modelo universal. Alguns países se adaptaram diretamente ao padrão (caso do Brasil, por exemplo). Outros introduziram modificações para manter determinadas tradições catalográficas, mas sofrem com um mercado de automação de biblioteca onde sistemas são integralmente baseados no MARC 21.

O MARC 21 é uma família de formatos, um conjunto de recursos que servem de ferramenta ao universo bibliográfico. Os cinco formatos do MARC 21 são:

MARC 21 Format for Bibliographic Data (Formato MARC 21 para Dados Bibliográficos), desenhado para codificação de informações bibliográficas de livros e manuscritos, arquivos de computador, material cartográfico, música, publicações seriadas (recursos contínuos), materiais visuais (projetável, bidimensional, kit, artefato tridimensional) e materiais mistos. Os dados bibliográficos incluem normalmente título, nomes, assuntos, notas, dados de publicação e informações referentes á descrição física dos documentos.

MARC 21 Format for Authority Data (Formato MARC 21 para Dados de Autoridade), destinado a informação sobre as formas autorizadas de nomes, assuntos e suas subdivisões que constituem o ponto de acesso dos registros bibliográficos. Incluí também as modalidades ou variações de nomes, assuntos e suas subdivisões que serão utilizadas como referência às formas normalizadas; e que por sua vez proporciona meios para se estabelecer e controlar as inter-relações existentes entre os pontos de acesso.

MARC 21 Format for Holdings Data (Formato MARC 21 para Dados de Coleção e Localizações), proporciona informação para localizar e identificar os exemplares de um documento e obter informação sobre a biblioteca depositária (do item). O estado de conservação, procedência, encadernações, forma de acesso eletrônico, volumes de uma publicação seriada (recursos contínuos), são alguns dos dados contemplados pelo formato. Possibilita constituir registros independentes, pois parte dos seus campos podem aparecer embebidos no registro bibliográfico.

MARC 21 Format for Classification Data (Formato MARC 21 para Dados de Classificação), codifica os dados pertencentes á notação de uma classificação numérica. Permite relacionar com os registros bibliográficos ou com os dados de autoridade, desde que o sistema de catalogação solicite validação da classificação no campo correspondente.

MARC 21 Format for Community Information (Formato MARC 21 para Informação Comunitária), permite o processamento de recursos não bibliográficos que possam ser úteis para uma determinada comunidade. Estabelece uma taxonomia de cinco tipos de registros, relacionados com: um indivíduo, uma organização, um programa ou serviço, um acontecimento, ou outros assuntos que por seu tipo de conteúdo heterogêneo não possa ser agrupado sob um conceito específico.

As entidades responsáveis, atualmente, pela manutenção dos formatos MARC 21 são: Library of Congress – LC e National Library of Canada. Como canal de comunicação com o mundo, sobre o padrão, a Library of Congress Network Development and MARC Standards Office mantém uma lista eletrônica denominada MARC Forum, aberta ao recebimento de propostas e sugestões. Há, ainda, o MARBI (Machine Readable Bibliographic Information), vinculado a American Library Association, e a CCM (Canadian Committee on MARC), que atuam como órgãos assessores para as agencias nacionais responsáveis pelo Formato.

Aspecto significativo á sobrevivência do formato é sua reação ao surgimento de novos recursos distribuídos em redes eletrônicas e, totalmente, distintas dos suportes e canais tradicionais de armazenamento e distribuição.

As características dinâmicas e de instabilidade de muitos destes recursos eletrônicos (conteúdo e forma de acesso) não estão totalmente ajustados às convenções catalográficas existentes. Porém, há ações de ajustamentos neste sentido como, por exemplo, a incorporação (desde meados da década de 1990, no MARC bibliográfico e dados da coleção) do campo 856 que permite localizar e acessar recursos eletrônicos.

Desde esse período, a Library of Congress Network Development and MARC Standards Office estabelece um fluxo de trabalho relacionado ao aproveitamento de informações que proporcionam os metadados de análise documental no formato de recursos acessíveis por meio da Internet.

Os metadados (que em definição genérica) representam dados sobre dados ou informação sobre informação, fornecem mesmo significado aos registros bibliográficos codificados em MARC (também considerados como metadados). O que, na literatura, é salientado como aplicável a outros padrões projetados para analisar, representar e recuperar através de softwares, os recursos eletrônicos.

Essa caracterização do formato realizou-se em duas etapas:

Inicialmente, elaborou-se modelo destinado á conversão de dados registrados em MARC para SGML (Standard Generalized Markup Language), e da mesma forma o processo inverso de conversão, de forma a minimizar a perda de dados na transação. Essas operações de conversão se realizam por meio de uma linguagem específica de marcação: DTD (Definição de Tipo de Documento).

A partir de 2002 a linguagem SGML é substituída pela linguagem XML (Extensive Markup Language), uma linguagem de marcação mais avançada, e que contribui para estabelecer três grupos de ferramentas MARC:

MARCXML schema. Ferramenta concebida como um modelo flexível de uso segundo as necessidades específicas do bibliotecário ou comunidade usuária em geral. É composto de recursos variados como: esquema de codificação, folhas de estilo, ferramentas de conversão entre MARC e MARCXML, além de programas desenvolvidos pela LC.

MODS (Metadata Object Description Schema). Esquema XML estruturado em um conjunto de elementos bibliográficos, aplicado principalmente em biblioteca, mas que também oferece possibilidade de uso variado no universo documental. Entre outras aplicações, inclui relação de equivalência com o padrão Dublin Core Metadata Elements, versión 1.1 (versão simples dos elementos Dublin Core), permitindo a conversão de um registro DC em MODS e vice-versa.

MADS (Metadata Authority Description Schema). Esquema XML estruturado em um conjunto de elementos destinado ao controle de autoridade, e que pode ser usado para fornecer metadados sobre pessoas, organizações, eventos, e terminologia (termos tópicos, geográficos, gêneros, etc.). O esquema foi criado para servir como um complemento ao MODS. Assim, MADS tem uma relação com o formato MARC 21 de Autoridade, semelhante ao que MODS tem com o MARC 21 Bibliográfico. Ambos transportam dados bibliográficos selecionados do MARC 21.

MARC XML DTD é uma estrutura composta de especificações de cada um dos elementos dos cinco formatos MARC 21, agora como elementos XML.

Outra influência sobre o formato MARC é a FRBR (Functional Requirements for Bibliographical Record). Modelo conceitual de dados bibliográficos baseado em metodologia conhecida como “entidade-relacionamento”, aplicada na construção de bases de dados relacionais.

Esse modelo aprovado pelo Comitê Permanente da Seção de Catalogação da IFLA. Apresenta quatro níveis de representação bibliográfica: Obra, expressão, Manifestação e Item (documento). Entre seus objetivos principais está o de estabelecer acordo com as agencias bibliográficas nacionais sobre os dados bibliográficos mínimos aceitáveis na composição do registro.

A revisão das ISBDs, iniciadas desde 2002, busca estabelecer uma norma catalográfica coerente com as recomendações da FRBR. Com a mesma intenção, organismos como OCLC e a Library of Congress, Agencias Bibliográficas da Austrália e de outros países, realizam estudos comparativos sobre a adequação de seus catálogos com as recomendações da FRBR. As análises empreendidas têm estabelecidos níveis elevados de correlação existentes entre o formato MARC 21 e a FRBR.

Outro acontecimento de repercussão no universo catalográfico mundial relacionado com a normativa bibliográfica se refere aos encontros internacionais da UBCIM (IFLA Universal Bibliographic Control and Internacional MARC Core Activity) e UDT (Universal DataFlow and telecommunications Core Activity). O resultado destes acontecimentos foi o acordo ICABS (IFLA-CDNL Alliance for Bibliographic Standards) estabelecendo novo projeto bibliográfico proposto pela National Library of Autralia, Library of Congress, British Library, Koninklijke Bibliotheek, Deutsche Bibliothek, e Biblioteca Nacional de Portugal. Inúmeros documentos e textos atestam os trabalhos desenvolvidos e de como a catalogação vai se orientando no atual cenário mundial.

Segundo Martinéz e Olaran, a colaboração entre a IFLA e a CDNL (Conferência de Diretores de Bibliotecas Nacionais), estabelece em seus preceitos iniciais três objetivos para cuja execução se define uma série de ações, que resumidamente contemplam:

Objetivo (1) – Manter, promover e harmonizar as normas e conceitos existentes relacionados com o controle bibliográfico e de recursos.

Ações: Desenvolvimento das ISBDs; Aperfeiçoamento das FRBR; Apoio ao projeto FRANAR (Funcional Requirements of Authority Numbering and Records); Promover o uso do UNIMARC; Avanços no uso do MARC 21 e seus derivados em XML; Cooperar na implantação do protocolo Z39.50, com o acesso remoto a informação ZING e seus serviços de busca web e recuperação baseado em XML.

Objetivo (2) – Desenvolver estratégias para o controle bibliográfico e de recursos, de forma a também impulsionar a adoção de novos acordos.

Ações: Apoiar o projeto VIAF (Virtual International Authority File); Metadados e esquema de metadados baseados em XML.

Objetivo (3) – Impulso ao arquivamento de longo prazo de recursos eletrônicos.

Ações: Conhecimento dos requisitos e condições necessárias para arquivamento dos recursos eletrônicos; Pesquisar sobre métodos e normas para a migração e emulação dos recursos; Preservação de publicações acessíveis via web; Estabelecimento de diretrizes para a preservação de conteúdo digital.

Em realidade, o formato MARC e as normas catalográficas internacionais encontram-se submetidas a uma contínua transformação. Isto é decorrente do fato de que o insumo informação, processado e reelaborado por estes sistemas bibliográficos, encontra-se em contínua evolução.

A incidência dos avanços tecnológicos sobre os documentos, catálogos e canais de difusão da informação obrigam uma revisão e aprimoramento do ferramental bibliográfico de tratamento e organização do conhecimento.

Talvez não sintamos, no Brasil, a intensidade das discussões e alterações que afligem o trabalho catalográfico mundial. Porém, as mudanças são certas, e a mobilização da comunidade se faz necessária.

É importante estruturar e formatar regionalmente grupos de trabalho para assimilar novas posturas de atuação e desempenho dos serviços técnicos. Bem como, mudar a mentalidade generalizada de se “fazer” catalogação de forma isolada.

O melhor do formato MARC não é o seu uso individualizado e cerrado entre quatro paredes. O melhor do formato MARC está na sua aplicação cooperativa, que gera o catalogo coletivo para a coletividade de usuários.

Na era das redes eletrônicas, das redes sociais, e da inteligência coletiva. A moderna Biblioteconomia sempre esteve embebida.

Março/2009.

Sobre o autor: Fernando Modesto - Bibliotecário e Mestre pela PUC-Campinas, Doutor em Comunicações pela ECA/USP e Professor do departamento de Biblioteconomia e Documentação da ECA/USP.