24 de março de 2009

Web 2.0 em Bibliotecas:

Em homenagem ao Dia do Bibliotecário (12/03), no dia 13 de março foi realizada a Palestra "Web 2.0 em bibliotecas"

Proferida pela bibliotecária portuguesa Teresa Laranjeiro.

A biblioteca 2.0 deve proporcionar acessibilidade, interatividade, colaboração e participação dos usuários junto a ela.

O objetivo principal de pensarmos em ferramentas da Web 2.0 em bibliotecas é principalmente para facilitar o trabalho do bibliotecário e também o acesso do usuários seja ao acervo ou para fazer uma sugestão e receber uma informação de forma rápida e precisa.

Foram citadas algumas ferramentas que já fazem parte do nosso dia-a-dia como usuários mas que talvez não pensemos em aplicá-las às bibliotecas. São elas;

Blog: gratuito, fácil de criar e usar, pode complementar o site da biblioteca e tem inúmeras aplicações. É muito mais que um diário eletrônico.

Twitter: é considerado um micro-blogging. Gratuito, fácil de usar, possibilita a fácil comunicação e também pode complementar o site da biblioteca.

Delicious: um tipo de lista de favoritos disponível on-line de qualquer computador em qualquer lugar do mundo. Também é gratuito, acessível, operado com linguagem natural.

Cada bibliotecário precisa identificar quais ferramentas são adequadas a sua biblioteca e aos seus usuários. Mas é preciso planejamento, persistência e avaliação, caso contrário a idéia morre com o primeiro problema.

Se você pretende utilizar a Web 2.0 em sua biblioteca, também é preciso familiarizar os seus colaboradores com essas ferramentas. De nada adianta lançar uma idéia que as pessoas não conhecem ou não estão familiarizadas.

As bibliotecas ainda são locais muito conservadores e muitos bibliotecários são resistentes às novidades, não conseguem ver sua atuação longe do papel, do livro em meio físico. Antes de mais nada crie um ambiente propício para a utilização dessas ferramentas, crie a cultura do compartilhamento de informações.

Fatores Críticos para o Sucesso da Certificação ISO 27001

Quando falamos em Segurança da Informação, imediatamente nos vem ao pensamento o imenso universo de Yotta Bytes (MB=106, YB=1024) digitais compostos pelos dados operacionais da empresa. E não estamos totalmente equivocados quanto a isto, pois é neles que estão registrados o histórico de negócios, os resultados financeiros e as evidências do cumprimento de obrigações da organização.

Mas esses dados digitais, na maioria dos casos, já se encontram razoavelmente protegidos, muitas vezes por sugestão ou requisitos dos próprios fabricantes do hardware e software utilizados, sendo que, o tratamento de possíveis ameaças ou vulnerabilidades pós-existentes, é apenas uma questão de investimentos em instalações e tecnologias adequadas.

Além disto, a segurança da informação digital e seus meios de processamento, ao longo dos últimos anos, tem sido objeto de várias normatizações específicas e abrangentes, internacionalmente aceitas, tais como ITIL (Information Technology Infrastructure Library) - um apanhado das melhores práticas de TI reconhecido desde 1990, COBIT (Control Objectives for Information and related Technology) - um framework de referência para a gestão de TI surgido em 1996 - e a BS 7799, homologada em 2000, hoje ISO 27001. Remanescem, porém, ameaças menos prováveis mas de conseqüências, muitas vezes, devastadoras como ações radicais do homem (New York – World Trade Center – 2001) ou fenômenos naturais catastróficos (New Orleans – Furacão Katrina – 2005).

Segurança da Informação, porém, não se aplica exclusivamente aos sistemas e equipamentos de informática, mas também, e talvez mais criticamente, às formas escrita e falada de registro e transmissão das informações, às pessoas, suas relações, cultura e comportamentos.

Estes aspectos, embora bastante empíricos, representam uma fragilidade significativa às informações estratégicas e confidenciais da organização, pois dependem exclusivamente de confiabilidade do corpo funcional, de sua conscientizarão e comprometimento.

Primeiramente, vemos na consistência do processo de recrutamento e seleção, através da definição detalhada de qualificações e competências desejadas para cada cargo, análise e verificação criteriosa de informações curriculares e de recomendação e na comprovação de idoneidade civil e criminal dos candidatos, uma ação preventiva, em prol da garantia de sigilosidade, devendo ser formalizada no ato da contratação dos servidores, através de termos de conhecimento e comprometimento de responsabilidades para com as formais políticas da organização.

Além disso, a organização deve publicamente expressar sua política de segurança da informação, envolvendo seus fornecedores, clientes e colaboradores, em um processo contínuo de conscientizarão, compromisso e adequação organizacional.

Neste aspecto, a adoção de metodologias organizacionais tais como House Keeping (Programa 5Ss), além de minimizar desperdícios, propicia mudanças comportamentais pela indução de boas práticas tais como, cada coisa em seu lugar, mesa limpa e tela limpa.

Em empresas que ostentam Certificações de Qualidade, como ISO 9000, observa-se um amadurecimento desses processos organizacionais, nos quais a classificação e cuidados com documentos passaram a ser prática diária e natural das atividades laborais, assim como a formalização procedural e normativa de seus processos, gerando uma documentação inequívoca dos desejos, permissões e determinações da alta direção da organização.

A existência destes recursos contribuem significativamente para o processo de estabelecimento de um SGSI – Sistema de Gestão de Segurança da Informação, requisito base da norma ISO 27001, cujo objetivo é garantir a integridade, confidencialidade e disponibilidade da informação, cabendo a organização então, definir os limites (escopo) em que sua avaliação será aplicada, iniciando um processo contínuo de verificação de impacto no negócio (BIA - Business Impact Analysis), analisando os Riscos dentro de uma relação direta entre Impacto x Exposição, definindo controles para sua mitigação e definindo seus níveis de aceitabilidade residual, adequados à importância de cada processo de negócio.

Este processo de otimização organizacional, como podemos perceber, é um bom caminho para a implementação da Segurança da Informação, onde a aderência a norma específica ISO 27001 funciona como um instrumento verificador de eficiência e eficácia, num ambiente dinâmico, de constante mutação, exigindo para sua manutenção, um trabalho dedicado de melhoria contínua.


Régis E. S. Aguiar é consultor sênior associado da e-trust
Fonte: Baguete.

Na era da informação, empresas buscam talentos empreendedores!

23 de março de 2009.
Por Luiz Alberto Ferla


Estamos na Era da Informação. A cada dia uma nova tecnologia surge, abrindo muitas possibilidades para quem está conectado às novidades. É o mundo dos sonhos para quem tem espírito empreendedor e vontade de trabalhar.
Os profissionais com esse tipo de perfil são verdadeiros ‘talentos empreendedores’, pessoas que dificilmente estarão fora do mercado de trabalho, mesmo em períodos de crise e incertezas.

O ambiente atual, por exemplo, possibilita a oportunidade de o profissional atuar em novas frentes de trabalho. Hoje há diversos setores e áreas que permitem que esse profissional esteja apto a desempenhar duas ou mais funções. Praticamente não há limitações se a pessoa tiver competência, discernimento, curiosidade, capacidade de aprender e energia suficientes para lançar-se em novas frentes ou reconfigurar as atividades que até então não desenvolvia.

As pessoas mais atentas e sintonizadas com a “economia do conhecimento” já perceberam que a obsolescência de conhecimentos (e de modelo mental) é um fenômeno assustador e que atinge a todos. A velocidade das mudanças, as inovações constantes, o acesso às tecnologias e as novas exigências de mercado, para o bem e para o mal, provocam desconfortos.

Os que acompanham as mudanças de seu tempo terão que “descobrir necessidades e atendê-las”, criando mais frentes de trabalho e renda para si e para outros. E não há nada de confortável nisso. É trabalho duro e ininterrupto. A verdade é que cada vez mais espera-se que o profissional seja um especialista, mas que tenha também habilidades complementares. A pessoa talentosa é aquela que possui uma competência em grau de excelência, uma expertise. É por isso que é contratada, é isso que define a sua presença na folha de pagamento. Empowerment Um discurso que ganhou força na década de 70 é que as pessoas precisavam ser mais generalistas e menos especialistas.

O que se queria dizer é que a nova economia exigiria pessoas abertas ao conhecimento e ávidas por aprender. Era um alerta para que não se limitassem a uma área de conhecimento, de negociação, de relacionamentos, de visão de negócios. Entrávamos na era do empowerment. Nas empresas, níveis hierárquicos desapareceram, cargos de gerentes e supervisores foram drasticamente diminuídos e mais poder foi dado às pessoas – o que exigiu mais saber. Exigiram-se competências para além da expertise básica – o que possibilitou que as pessoas enxergassem novas oportunidades para aplicação de sua experiência e de suas habilidades extras. Essa atitude se faz muito necessária nos dias de hoje.

O profissional tem de ser multitarefa, embora, poucos se dêem conta disso. Os que preferem o conforto do conhecido, do tradicional, do consagrado, do aprendido, podem descobrir que o conforto é só aparente: que a obsolescência os ronda e ameaça seus empregos e estilos de vida.

*Luiz Alberto Ferla, CEO das empresas Talk Interactive (www.talkinteractive.com.br) – especializada em comunicação digital e Knowtec (www.knowtec.com) – especializada em inteligência competitiva. Administrador e engenheiro pós-graduado em planejamento estratégico, é também co-autor do livro “Viagem ao Mundo do Empreendedorismo”.



Fonte:
Administradores

13 de março de 2009

Reportagem da Folha de São Paulo em Comemoração ao dia do Bibliotecário!

Folha de São Paulo, 12/03/2009 - São Paulo SP.

O bibliotecário e a era do conhecimento Hoje, no Dia do Bibliotecário, esse profissional clama pelo reconhecimento social que, todavia, ainda não lhe faz justiça plena aqui no Brasil.

VERA STEFANOV e LEVI BUCALEM FERRARI

AS CIVILIZAÇÕES têm como marco inicial a palavra escrita, testemunho mais eloquente de qualquer cultura. Na Antiguidade, bibliotecas foram símbolo do prestígio das cidades que as abrigavam. Zelar por elas era tarefa das mais importantes, atribuída a um segmento nobiliárquico competente. Ainda não se distinguiam os papéis do escriba e os do bibliotecário, como os entendemos hoje, mas o fato é que esses profissionais gozavam de prestígio e respondiam diretamente ao soberano.

A partir da invenção da prensa móvel por Gutenberg, aumenta exponencialmente o número de exemplares por livro e surgem os jornais, os fascículos, as revistas. Logo, as bibliotecas demandaram profissionais especializados, na moderna figura do bibliotecário -que desenvolveram sistemas mais eficazes de catalogação, disposição, conservação etc.

No Brasil, esse marco foi estabelecido pelo engenheiro, bibliotecário, escritor e poeta Manuel Bastos Tigre. A importância de sua contribuição é reconhecida também pela legislação, que apontou a data de seu nasci- mento -12 de março- como o Dia do Bibliotecário no Brasil. Em 1906, Bastos Tigre viajou para os Estados Unidos, onde conheceu Melvil Dewey, que já havia instituído o sistema de classificação decimal. A partir de 1945, trabalhou na Biblioteca Nacional e, depois, assumiu a direção da Biblioteca Central da Universidade do Brasil. Fiéis ao espírito pioneiro de seu patrono e aos inúmeros serviços que prestou ao país e ao livro, bibliotecários brasileiros clamam na data de hoje pelo reconhecimento social que, todavia, ainda não lhes faz justiça plena.

De fato, predomina, entre nós, muito amadorismo na questão. Enquanto o bibliotecário é visto como luxo dispensável, não raro outros profissionais são chamados para quebrar o galho, comprometendo a conservação de acervos importantes, sua disposição racional e sua acessibilidade.

Nas escolas a situação é de calamidade pública. Muitas nem sequer possuem bibliotecas. Não raro, é algum professor que se encarrega de organizar o acervo. Em outras, os livros se atulham sob escadas, corredores ou salas inadequadas. O impacto é extremamente negativo na formação dos alunos. Na idade em que a leitura precisa ser valorizada para que seu hábito se cristalize, o estudante vê livros tratados como entulho. Nada o convencerá mais tarde do contrário: o livro permanecerá entulho, e sua leitura, um ato despido de sentido.

Quanto ao ensino superior, as informações não são melhores. Boa parte dos grandes complexos educacionais privados costuma adquirir muitos livros. Mas, quantos? Uma centena de exemplares pode impressionar o leigo, mas está longe da suficiência se o número de alunos por curso passa da casa do milhar. Se isso é válido para uma política hipócrita em relação ao livro, imaginemos as proporções bibliotecário/usuário nessas instituições. Seu número é quase sempre insuficiente, como são precárias suas condições de trabalho.

No momento em que governo e sociedade no Brasil se dão conta de nossos vergonhosos níveis de leitura e se mobilizam para superá-los por meio de programas de incentivo, não é mais possível aceitarmos esses descalabros. É o momento de convocar o bibliotecário para -ao lado do educador, do escritor, do editor e de outros- traçar os rumos de uma política eficaz e duradoura para os livros e para as bibliotecas.

Entre os novos desafios, o maior vem da tecnologia da informação, que cresce exponencialmente. Ajudar o pesquisador, o profissional e o cidadão a pinçar, entre uma infinidade de informações, aquelas que realmente lhe interessam e que são confiáveis é apenas a ponta do iceberg. De fato, a possibilidade de acesso mais democrático à informação, à literatura e à cultura em geral não permitirá que o bibliotecário se aliene em relação a desafios que trazem em seu bojo a histórica oportunidade de aliança entre cultura e consciência crítica, entre informação e emancipação. Inicialmente, ele terá de interagir em equipes multidisciplinares, em processos de mútuo aprendizado.

Aos poucos, sua formação específica haverá de impor-se como peça-chave de funções socialmente tão relevantes. O bibliotecário se mostrará, assim, indispensável. Quando isso ocorrer, a forma como esse profissional for tratado por empregadores de quaisquer tipos, pela sociedade e pelo legislador representará indicador do grau de civilização que poderemos projetar para nós mesmos.


VERA LUCIA STEFANOV, 56, bibliotecária documentalista, é presidente do SinBiesp (Sindicato dos Bibliotecários do Estado de São Paulo).
LEVI BUCALEM FERRARI, 63, cientista político, é presidente da UBE (União Brasileira de Escritores).

12 de março de 2009

Feliz dia do Bibliotecário!!!


Oi amigos!!

"Feliz dia do Bibliotecário"
Sucesso a todos.

Grande beijo!

"Um país se faz com homens e livros"
Monteiro Lobato

6 de março de 2009

Sinuca digital!

Por: Paulo Pacini.

Quando, em 1999, o neurobiólogo Joseph Miller pediu à Nasa acesso aos dados das missões Viking, que aterrissaram em Marte em 1976, sua solicitação foi prontamente atendida. As fitas magnéticas, corretamente armazenadas, foram localizadas e entregues. Infelizmente, delas não foi possível se extrair nada, pois o formato digital no qual a informação foi codificada já tinha sido esquecido, e seus criadores haviam falecido ou se aposentado. Graças a algumas anotações em folhas de papel, anexadas às fitas, depois de muito esforço foi possível recuperar um terço da informação.
O episódio acendeu uma luz vermelha em todas instituições que trabalham com o armazenamento de informações digitais, acerca dos riscos que a evolução tecnológica pode ocasionar para o resgate futuro dos dados.Um dos grupos mais preocupados com a conservação de seus arquivos é a indústria do cinema, e, para situar o problema, a Academy of Motion Picture Arts and Sciences (instituição que concede os Oscars) divulgou, em 2007, um estudo abrangente, no qual também são analisados casos de outros setores. Para os estúdios, a preservação dos filmes é uma questão de vida ou morte, pois um terço de sua renda provém de reprises, comercializadas para a TV ou em DVDs.
A maior parte de seu acervo são filmes de 35mm, uma tecnologia confiável, conhecida, cuja qualidade ainda não foi equiparada pelo meio digital, com uma vida prevista de pelo menos 100 anos, em condições corretas de armazenamento, e um custo extremamente baixo. Por esta razão, quase tudo é filmado em película, apesar de todo processamento posterior ser digital. O custo do arquivamento digital é pelo menos 11 vezes superior, pois necessita uma verdadeira parafernália para seus muitos terabytes de informação, armazenados em discos rígidos ou fitas magnéticas, pedindo uma estrutura pesada de servidores, com manutenção constante, incluindo hardware, software, substituição de mídia, treinamento de pessoal, consumo de energia elétrica, só para citar alguns. Mesmo assim, a acessibilidade não está garantida, pois tudo muda na indústria de informática, os formatos de arquivo, sistemas operacionais, interfaces, software, etc.Em outros setores, a questão é igualmente grave.
A Biblioteca do Congresso dos EUA criou o programa NDIIPP, para a criação e preservação da informação digital, que estipulou algumas linhas gerais de orientação, procurando favorecer a criação de uma rede de arquivamento, pois se considera que a tarefa é grande demais para uma única instituição.Os arquivo nacional americano, o Nara, que contém todos os registros da esfera governamental, também criou uma iniciativa nesse sentido, que inclui a padronização dos formatos de arquivo e da metainformação, ou seja, informação sobre as informações, que facilitam sua localização.
A imprensa também lida com dificuldades relativas ao arquivamento de informações, especialmente de imagens, pois é prática corrente o descarte de material não utilizado, apagando-se a memória das máquinas.Não existem mais negativos que possam ser utilizados no futuro, em novas publicações. Emissoras de TV frequentemente eliminam material gravado digitalmente, reutilizando as fitas, preservando para a posteridade só uma parte da informação.Esses problemas, que pouca gente vê, são extremamente sérios.
O único meio encontrado até o momento para se garantir o acesso futuro aos arquivos digitais é, antes de tudo, ter-se uma política de preservação da informação, e também um esquema de migração contínua para novos formatos, a ser feita a cada poucos anos, a um custo elevado.
A maioria dos países está se conscientizando das limitações da tecnologia atual com relação ao arquivamento a longo prazo, ao mesmo tempo em que buscam soluções.Será necessário um grande esforço das instituições governamentais e privadas brasileiras para que o costumeiro imediatismo e aversão ao planejamento não faça com que no futuro exista uma enorme lacuna em todo tipo de dados relativos ao período histórico que então será o nosso presente.


Fonte: Jornal do Brasil.

URL:
Http://jbonline.terra.com.br/leiajb/noticias/2009/03/03/sociedadeaberta/sinuca_digital.asp

4 de março de 2009

Bibliotecários devem perceber que seu foco deixou de ser somente o suporte (livro) para abranger o acesso à informação em todos os tipos de suporte.


A popularização de equipamentos eletrônicos tem contribuído para o crescimento da internet e da tecnologia utilizada por ela. A internet cada vez mais popular, mais fácil e acessível por meio de banda larga, o que facilita a navegação, já está em escritórios, cafés, bares, em casa, aviões, shoppings, universidades, escolas, além das residências e ocupando um espaço cada vez maior no cotidiano das pessoas.

Mas a tecnologia ainda é vista com olhos desconfiados por grande parte dos profissionais da biblioteconomia. A internet, especialmente, é um desafio que poucos se propõem a enfrentar.
Essa atitude auxilia na exclusão do bibliotecário do mercado de trabalho relacionado à internet e é ruim para a profissão. Isso porque o foco do bibliotecário deixou de ser somente o suporte (o livro) para abranger o acesso à informação (ou seja, a informação em todos os tipos de suporte).
Tendo essa idéia em mente, a informação na internet é um grande nicho que escapa das mãos destes profissionais, principalmente com relação ao tratamento e organização da informação em websites, astro principal na grande rede. Este trabalho, que cabe perfeitamente aos bibliotecários, tem ficado por conta de profissionais da área de jornalismo, publicidade, design de interfaces e análise de sistemas.

Organizar a informação, o fluxo de navegação de um website, trabalhar a hierarquia e categorização da informação na web são algumas das atividades exercidas pelo arquiteto de informação, o novo profissional que surge para fazer o que o bibliotecário faz em centros de informação.
Segundo Rosenfeld (2002, tradução nossa), co–autor do best–seller "Information Architecture for the World Wide Web", a "Arquitetura de Informação é a arte e a ciência de organizar, estruturar e categorizar a informação para torná–la mais fácil de encontrar e de controlar". Essa definição encaixa–se perfeitamente no papel e na função do bibliotecário, que segundo Milanesi (apud SOUZA, 2005) é "descongestionar todas as vias de fluxo da informação".

Para Garrett, "Information architecture is closely related to the concept of information retrieval: the design of systems that enable users to find information easily. But Web site architectures are often called on to do more than just help people find things; in many cases, they have to educate, inform, or persuade users." (GARRETT, 2004, p. 94).

Estas são exatamente as preocupações de um arquiteto de informação e a maioria dos designers não possui conhecimento ou experiência suficiente para tomar as decisões certas nestas questões.

Ora, em um paralelo, estas questões fazem parte da rotina de trabalho de um bibliotecário: trabalhar com hierarquia, categorização, fluxo da informação, facilidade de uso e acesso à informação. O bibliotecário, além destes conhecimentos precisa estar informado sobre as tecnologias que cercam sua rotina e precisa ter conhecimentos de editoração.
Além da estruturação, organização e categorização da informação, o arquiteto de informação lida também com questões de usabilidade e cognição, taxonomia, tesauros e vocabulário controlado. Ter um site na internet com muito conteúdo significa ter que organizar e categorizar muita informação e isso é o que a Biblioteconomia tem feito há tempos.

A máxima hoje é dizer que "informação é poder", e com isso quanto mais informação, mais poder. Mas essa explosão informacional, que nos bombardeia dados, fatos e informações o tempo todo se não organizados e categorizados, nos traz o que Wurman (2003) chama de "ansiedade de informação". Dados e fatos, para o autor, que não agregam conhecimento, não são informação e essa falta de conhecimento gera a ansiedade por não saber. Essa ansiedade só pode ser superada se aprendermos "a reconhecer o que é compreensível e o que não é".

Em uma busca, o usuário que acessa a internet se depara com tanta informação, pertinente ou não, que muitas vezes não sabe por onde começar a procurar. E é aí que entra o arquiteto de informação, para organizar a informação e o fluxo de navegação, que é o que o bibliotecário faz em um centro de informação: organiza a informação de forma que ela seja facilmente recuperada e mapeia as formas de encontrá–la.

A partir de estudos sobre necessidades e comportamentos dos usuários que se deseja alcançar, o arquiteto planeja a organização da informação no site e seu fluxo de navegação utilizando critérios de usabilidade como facilidade de uso, baixa taxa de erros, eficiência, além da análise de processos de cognição, taxonomia na organização e hierarquização da informação.

Bem, este é o papel do bibliotecário em uma unidade de informação. A partir do perfil do usuário que se pretende atingir, o profissional da informação determinará toda a estratégia de serviços e produtos que irá oferecer, a rotina de trabalho, dentro outros. Ou seja, o bibliotecário é um profissional preparado para atuar nesta área em que atua o arquiteto de informação.

A diferença é o meio de atuação e as tecnologias envolvidas no desenvolvimento de cada um. O profissional se desenvolve de acordo com o meio em que atua. Se o bibliotecário for trabalhar na web, sua formação se voltará para as tecnologias que envolvem a área. [Webinsider].

Sobre o autor:

Katyusha Souza (katyusha.souza@agenciaclick.com.br) é arquiteta da informação na Agência Click

Fonte: Webinsider